Apesar de ser uma atividade ainda pouco explorada no Brasil, os interessados na área do perfilamento criminal têm crescido e a sua relevância à Justiça deve ser reconhecida. O Profiling Criminal é um dos ramos da análise psíquica e comportamental, e consiste em um processo de análise criminológica que une as competências do investigador criminal e do especialista em comportamento humano[1].
O Criminal Profiler é o profissional que estuda as atitudes e a personalidade de criminosos através da compreensão de padrões psicológicos e comportamentais, focando na fase de investigação dos crimes e no processo judicial. O conceito de Profiling foi desenvolvido inicialmente através da psicologia forense para auxiliar as forças policiais no combate ao crime e na identificação do suspeito desconhecido, utilizando-se de técnicas específicas desenvolvidas pelo Federal Bureau of Investigation, o FBI.
Os profissionais que atuam traçando perfis criminais e determinando suas típicas condutas delituosas são: o psicólogo investigativo, o criminólogo, o psicanalista, o psiquiatra forense, dentre outros profissionais que estudam criminologia. Como elucida Tânia Konvalina Simas[2], “O crime e a conduta desviante só podem ser entendidos numa esfera multidimensional porque só dessa forma é possível integrar a complexidade da natureza humana, assim como os fatores que condicionam e/ou motivam o Homem”.
Na construção de um perfil, existem elementos com especial relevância investigativa, tais como modus operandi, assinatura do criminoso, estudo da vitimologia, motivação humana e motivação criminosa. O perfil criminal também oferece uma espécie de redução ou definição de grupos de suspeitos, mas também pode conter sugestões investigativas para a priorização de recursos públicos. Ele pode fazer parte tanto do processo investigativo quanto diretamente do processo judicial, motivo pelo qual necessita ser um registro fiel à investigação e estar apto para ser apresentado em Tribunal.
Mesmo sendo cautelosos, os criminosos costumam deixar sua personalidade e provas materiais obscuras na cena do crime. O perfilador procurará então dar uma direção psicológica em cada um dos vestígios deixados. Na prática, o profiler pode se utilizar de diferentes perspectivas e metodologias para a construção das hipóteses sobre o crime e sua autoria[3].
As abordagens epistemológicas podem ser classificadas em dois tipos. À Priori, tem-se a abordagem ideográfica, desenvolvida por Brent Turvey e também chamada de Análise das Evidências Comportamentais, que trabalha com dados concretos e examina todos os vestígios que possam ser comprovados a partir de fatos empíricos. Esses vestígios são descobertos a partir de uma análise meticulosa de todas as evidências comportamentais, físicas, testemunhos e documentos relacionados ao fato a partir da observação da cena do crime, como exames toxicológicos, fotos e vídeos.
Em segundo lugar, tem-se a abordagem nomotética, que se trata do estudo do abstrato através da análise de grupos e de leis universais. Os estudos nomotéticos são muito úteis quando se pretende definir um grupo como um todo, solucionar problemas de grupo ou como ponto de partida na teorização inicial de casos. Esta abordagem pode ser dividida em: Profiling Geográfico, que baseia sua investigação na criminologia ambiental e define prováveis áreas de residência do criminoso; Psicologia Investigativa, que estuda aspectos do comportamento do infrator que podem ser úteis na investigação; Análise da Investigação do Crime, que corresponde aos métodos de classificação de criminoso organizado e desorganizado, desenvolvidos pelo FBI; e Avaliação Diagnóstica, uma abordagem clínica da psicologia, que determina se o infrator sofre de alguma patologia mental ou transtorno de personalidade.
Atualmente, não se têm dados quanto ao Criminal Profiling enquanto técnica e seu conhecimento enquanto estudo científico no âmbito nacional é escasso, além da falta de investimento da Administração Pública no campo das ciências criminais e sociais. Segundo Tânia Konvalina[4], “a realidade é que o Profiling Criminal, por si só, ainda não atingiu o estatuto de profissão e infelizmente ainda não surgiu uma organização reguladora e profissionalizante para profilers”. Todavia, para evitar que sentenças equivocadas sejam proferidas e possíveis injustiças sejam cometidas pelo Estado, é de suma importância que a investigação e o processo crime sejam executados com critério. O trabalho de um criminal profiler é essencial para as iniciadas as investigações criminais, e, como consequência, identificar o suposto autor do crime. Por isso, os diagnósticos e pareceres prestados ao Poder Público por estes profissionais possuem valor probatório e são de grande relevância à Justiça.
[1] Cf. Criminal Profiling – Psicologia Investigativa. Faculdade Volpe Miele.
[2] SIMAS, T. K. Profiling Criminal: introdução à análise comportamental no contexto investigativo, 1ª Ed. Sintra: Editora Rei dos livros, 2012, p. 15.
[3] Cf. ALCÂNTARA, Priscila. Apresentação de PowerPoint, 2022.
[4] SIMAS, T. K. Profiling Criminal: introdução à análise comportamental no contexto investigativo, 1ª Ed. Sintra: Editora Rei dos livros, 2012, p. 21.